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sábado, 8 de agosto de 2009

Carta de repúdio do aluno de jornalismo Bruno Brandão.


Um grande absurdo foi cometido com a classe dos jornalistas que passam 4 anos se esforçando e lutando para ter um diploma nas mãos, no dia 17 de junho, por 8 votos a 1 foi derrubada a lei que exigia o diploma ao jornalista. Em torno dessa polêmica decisão, se formou uma grande interrogação entre os estudantes que já se formaram, e pricipalmente entre os que hoje cursam.

Durante o julgamento da decisão, o presidente do STF comparou jornalistas com cozinheiros. "Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional." Isso causou uma grande revolta entre os estudantes, pelo modo rasteiro em que o ministro tratou os profissionais. Afinal, a responsabilidade de trabalhar em uma cozinha, não é a mesma de ir as ruas, se criar uma matéria, de estar numa bancada de um jornal, enfim de exercer o papel do jornalista.

Conversava com um amigo meu, e ele me disse: " Veja, o Mercado já está saturadíssimo e, agora, além de concorrer com jornalistas, iremos concorrer com os "filhos" dos editores-chefes que vão ser "jornalistas" para abaixar os custos da empresa".

E eu perguntou, se formos desistir agora com essa decisão tão infeliz para nossa classe, será que vamos ter capacidade de concorrer com os "jornalistas" do futuro? Será que somos tão auto-suficiente para desistirmos de aprender? Se eles vão entrar no mercado sem diploma, nos vamos entrar após ter passado 4 anos aprendendo.

Sem dúvidas, é uma fase em que o jornalismo está passando, mas não significa que devemos desistir, não! Temos que cotinuar, afinal o curso de Jornalismo não irá acabar, a profissão não vai se exterminar, pelo contrário, vai ser exigido muito mais dos futuros jornalistas, qualificação e um diploma na mão. Já foi dito também pelas principais empresas de comunicação, que só serão aceitos profissionais com o curso completo de Jornalismo, não devemos abaixar a cabeça com a decisão dos ministros, e sim encarar como uma motivação e uma prova de quem verdadeiramente ser um jornalista capacitado, e quem quer tentar ser um "cozinheiro".

Bruno Brandão
2º Periodo - Jornalismo

sábado, 11 de julho de 2009

Resposta - Aluno

Brena, como eu vi no seu e-mail sobre o encontro em sua casa que Jael vai apresentar slides, queria que vc me mandasse esse slide, e já pedi o que ele também está fazendo pra eu apresentar aqui na minha cidade também. Quando saí nas ruas pedindo pra que as pessoas assinassem o abaixo assinado, a maioria estava na leiguisse, não sabia DE NADA!

E também queria dá uma satisfação por eu não ter enviado o dinheiro das camisas... mas cadê esse dinheiro? Não tenho. Pelo menos por enquanto. Mas assim que tiver os 20 na mão usarei pra isso. Peço perdão. Não esqueci do compromisso que firmei naquela noite na FAVIP.

Outra coisa... tem problema passar a lista pra outras pessoas pegarem assinaturas? Passei pore-mail pra alguns amigos... ok?Obrigada por me mantar informada.

abraços.
Larissa C.

Resposta - Aluno

Olá brena,

sou aluna de jornalismo da favip vou para o 2 período agora, no dia que vc foi na minha sala dar umas informacões eu já tinha saido e portanto não anotei meu email pra vc poder passar emails e nos deixar informados, então por gentileza quando você for mandar para os meus cologas por favor me mantenha informada também ok?

Agradecida
Nayara Cavalcanti

Resposta - Aluno

olá boa tarde

minha querida você pegou o dinheiro da camiseta do manifesto? Caso vc ja esteja com a minha camiseta me manda um email ou uma mensagem pro meu celular que eu vou dá um jeito de pegar em caruaru na FAVIP hoje a noite. um xero se cuida.

Ândrica Costa

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Carta de repúdio da jornalista Layanna Florêncio



O Jornalista - profissional da informação - numa redação de jornal pode ocupar desde a função de repórter até a de editor. O jornalista pode atuar em diversas áreas como: rádio, agência de notícia, assessoria de imprensa, televisão, jornal impresso e em sites de conteúdo jornalístico na Internet, dentre outras. Entretanto, para todas as funções, o domínio de técnicas de redação, capacidade de reflexão e bons conhecimentos da língua portuguesa são fundamentais.
Ultimamente grandes manifestações, tanto favoráveis como contrárias no tocante – Obrigatoriedade do diploma de jornalista, vem destacando-se no cenário brasileiro.Na concepção sindicalista o diploma funciona como uma reserva de mercado. Sabemos que atualmente faculdades de jornalismo despejam periodicamente recém - formados no mercado, é válido salientar que mais gente do que o mercado atual suporta. Hoje, há mais formados querendo ocupar seu espaço como jornalista do que se possa imaginar. O que ratifica que não foi de certa forma a exigência do diploma que levou a isso e sim as leis do mercado. A justificação do diploma que antes oferecia vem se dissolvendo com o passar dos tempos.Percebemos que tudo isso que vem ocorrendo é reflexo do mercado saturado que pertencemos. A questão: “ser jornalista” não está impregnada apenas a atribuição do diploma, até por que para exercer a profissão não se faz necessário o mesmo. Então, paremos para refletir o quão polêmico é a abordagem desta temática, principalmente quando se associa a profissionais recém-formados, a profissionais que já estão no âmbito a tempo, a “profissionais” que mesmo sem diploma estão atuando há décadas no mercado jornalístico.Todavia, duas perguntas precisam de respostas: Será mesmo, que para atuar como jornalista se faz necessário o diploma? Será que só os profissionais formados poderão atingir o grau de expectativa e responsabilidade quanto à profissão - jornalismo?

Quanto à primeira questão, sabemos que a obrigatoriedade do diploma jornalístico não passa de “balela”, e por que não: de um mito criado pelos profissionais formados ou ainda mais, pelos sindicalistas. Antes de cogitar-se essa possibilidade é necessário uma análise profunda das várias percepções concernentes a esta temática. Relevante seria se o sindicato dos jornalistas ressuscitasse das cinzas e trabalhasse pela classe, conseqüentemente estando mais presente no cenário brasileiro. Agindo de acordo com os preceitos jornalísticos. Assim, seria uma garantia de que os profissionais que estejam no mercado sejam aqueles que concluíram o curso de comunicação social/ Jornalismo. Esses profissionais terão a capacidade de discutir, criticar e avaliar o próprio exercício da profissão.Ou seja, se houvesse um sindicato mais participativo e menos eloqüente o mercado atual seria outro completamente distinto a este - por exemplo: um conselho espelhado em instituições sérias como a OAB – Ordem dos Advogados do Brasil, que com seriedade averigua os fatos e faz jus a classe.

Existem pessoas que atuam como jornalistas há décadas e que desempenham brilhantemente sua função, mas, que não tem formação acadêmica. Minha concepção com relação a esse aspecto é bastante realista – esses profissionais por tudo que já vivenciaram tem uma bagagem profissional inquestionável e bastante perspicaz. E não merecem serem descartados. Sou a favor da obrigatoriedade do diploma no cenário atual, em que os profissionais que venham a atuar no mercado sejam formados e carreguem consigo o seu diploma. E aos que não são, que se integre a uma universidade e conclua o curso de Jornalismo.Partindo desse pressuposto, o segundo questionamento torna-se bastante relativo. Pois, existem fatores importantes que devem ser considerados. A demanda por vagas de emprego na área jornalística aumenta cada vez mais, porém o nível de muitas pessoas que ingressam no mercado de trabalho é “abjeto” - não oferecem um serviço qualificado, deixando em dúvida a sua credibilidade enquanto profissional.

Por outro lado, fica difícil prestar a devida atenção em como somos bombardeados por informações, que são veiculadas nos diversos meios de comunicação – rádio, telejornal, revista, jornais diários e essencialmente nos web sites, que têm uma característica peculiar, de noticiar fatos em “ tempo real”. No entanto, nem sempre paramos para analisar o profissional que está por trás do texto bem escrito – seguindo o preceito jornalístico, que nos transfere conhecimento satisfatório para podermos compreender, opinar e debater os assuntos de nosso interesse. O que classifica a base acadêmica como fundamental para o exercício de qualquer atividade profissional. A estrutura prática é sustentada pela teórica. Se não houver no cenário brasileiro contemporâneo a exigência do diploma de jornalista, os grandes beneficiários seriam os donos das empresas de comunicação, que teriam a liberdade de contratar mão-de-obra não especializada podendo estipular qualquer valor salarial. Na minha concepção a grande prejudicada nessa história seria a sociedade num contexto geral, que sofreria com a falta de qualidade e credibilidade na informação. É válido salientar que alguns dos profissionais que estão a tempo exercendo a sua atividade na área de comunicação e que não são formados, conhecem o lado prático da profissão até melhor do que outros que estão ingressando no mercado de trabalho. Apesar de sabermos que o diploma não constitui uma postura ética e nem diminui a possibilidade de erros.

Layanna Florêncio

Carta de repúdio de Brena Vila Nova



BOM DIA,

CAROS MINISTROS,

COMO ESTUDANTE DO SÉTIMO PERÍODO DE JORNALISMO, TENDO DEDICADO QUASE QUATRO ANOS DE MINHA VIDA AO ESTUDO DO JORNALISMO (TEORIA E PRÁTICA), E TENDO INVESTIDO MAIS DE VINTE MIL REAIS NA GRADUAÇÃO PARA AO FINAL, TER O DIPLOMA QUE MARCARIA A FINALIZAÇÃO DE TODO UM LONGO PROCESSO DE CAPACITAÇÃO PARA ASSUMIR A RESPONSABILIDADE DE APURAR, REDIGIR, DESCREVER E CONTAR AS HISTÓRIAS DE NOSSA SOCIEDADE, E SEMPRE COMPROMETIDA COM O JORNALISMO PÚBLICO DE QUALIDADE. DIANTE DISSO, VEM A DECISÃO EQUIVOCADA DO SUPREMO, QUE ABRE ESPAÇO PARA O JORNALISMO PUBLICISTA, FEITO NO SÉCULO XVII.
O ARGUMENTO DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO É INCOERENTE, VISTO QUE COM NO CIBERESPAÇO, A LIBERDADE DA SOCIEDADE MODERNA ESTÁ VIRTUALIZADA.. E VIRTUALIZAÇÃO, NO SENTIDO EM QUE NOS APONTA O PENSADOR FRANCÊS PIERRE LÉVY, QUE AFIRMA QUE A VIRTUALIZAÇÃO É UM DOS VETORES DA REALIDADE, A NOSSA LIBERDADE DE EXPRESSÃO ESTÁ VIRTUALIZADA, NÃO DEPENDE DA NÃO OBRIGATORIEDADE DO DIPLOMA DE JORNALISMO. ISSO É DESCULPA!
ONTEM, ASSISTINDO O JORNAL NACIONAL PUDE SER TESTEMUNHA DO QUE SIGNIFICA O CAMINHO ANTI-DEMOCRÁTICO E O DESRESPEITO A UMA PROFISSÃO. O FATO QUE TORNARIA DECISIVA A CONSTRUÇÃO DE UMA COMUNICAÇÃO DE INTERESSE PÚBLICO OCUPAVA LUGAR DISCRETO NO REFERIDO TELEJORNAL E A FACE DOS JORNALISTAS DA BANCADA EXPRESSAVA BEM, O DESCASO QUE SE COMPROVARIA COM A DECISÃO DO SUPREMO, CONTRA A OBRIGATORIEDADE DO DIPLOMA. OS REFERIDOS JORNALISTAS, NÃO FIZERAM UM COMENTÁRIO, NENHUMA COLOCAÇÃO FOI PROFERIDA E AO CONTRÁRIO DO QUE SE POSSA IMAGINAR, OS JORNALISTAS NÃO FICARÃO CALADOS, NEM INERTES. SE OS SENHORES PODEM DECIDIR, NÓS PODEMOS REAGIR. E NÓS, VAMOS!
JORNALISTA NÃO É COZINHEIRO, NEM COSTUREIRO. JORNALISTA É UM TRABALHADOR QUE TEM POR RESPONSABILIDADE GARANTIR A INFORMAÇÃO PÚBLICA DE QUALIDADE. JORNALISTA NÃO É ARTISTA. JORNALISTA NÃO ESCREVE LITERATURA. A RESPONSABILIDADE DE CORTAR UMA CEBOLA NÃO É A MESMA QUE A DE APURAR UMA INFORMAÇÃO E CHEGAR A CASOS CONSTRANGEDORES COMO O DA ESCOLA BASE, QUE SÓ FOI DESVENDADO, GRAÇAS A ATUAÇÃO DE UM JORNALISTA, PORTADOR DE DIPLOMA, O ENTÃO FLORESTAN FERNANDES, FORMADO PELA USP. APURAR CASOS COMO O DE ELOÁ OU DA MENINA ISABELLA NARDONI NÃO OFERECEM OS MESMOS RISCOS QUE A EXECUÇÃO DO CORTE E COSTURA. A CEBOLA ESTRAGADA A GENTE JOGA FORA E O TECIDO MAL CORTADO, SERVE DE RETALHO, MAS A INFORMAÇÃO NÃO PODE SER REMENDADA, REMEDIADA OU JOGADA FORA. SE FOR FEITA DE QUALQUER JEITO E POR QUALQUE PESSOA, A INFORMAÇÃO SERÁ SIMPLESMENTE LIBERDADE DE EXPRESSÃO? É DISSO, SIMPLESMENTE QUE A SOCIEDADE PRECISA? É A LIBERDADE DE EXPRESSÃO, A QUESTÃO? A DECISÃO DO SUPREMO TRANSFORMA A PROFISSÃO DO JORNALISTA EM SUCATA, MESMO SABENDO QUE A INFORMAÇÃO PÚBLICA DE QUALIDADE É IMPRESCINDÍVEL AO SISTEMA DEMOCRÁTICO. E VALE FRISAR QUE A INFORMAÇÃO "ESTRAGADA OU MAL CORTADA" OFERECEM RISCOS IRREMEDIÁVEIS, INCLUSIVE AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.

FICA REGISTRADO MEU REPÚDIO, COMO FUTURA JORNALISTA PORTADORA DE DIPLOMA DE FATO E DE DIREITO.

BRENA VILA NOVA.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Carta de repúdio da estudande da FAVIP Larissa Cordeiro

Direitos Humanos, Constituição, Educação, Civilização, Valorização... Eu clamo por estes, pois não os vejo nessa decisão do Ilustríssimo Narcísico Juiz!

Na última quarta-feira, dia 17/06/2009 recebi a notícia e fiquei indignada. Pergunto aos 8 Ministros que votaram se pelo menos indignada eu posso ficar?!

Mais indignada ainda fiquei quando soube quem fundamentou essa lei do cão,a Rede Globo. Eu fico me perguntando como uma emissora tão grande de tamanho privilégio se presta a tal negócio sem nem pensar no que essa iniciativa afeta a vida e o trabalho de todos os jornalistas que um dia viriam a fazer parte da empresa. Digo negócio porque essa desregulamentação não passa de mais uma barganha feita pelo baronato brasileiro para calar a boca de quem denuncia aqueles que só usam o dinheiro público para ternos, tapiocas e viagens e nunca receberam nem diploma para isso não é?! Talvez seja esse o real motivo que lhes fizeram chegar à conclusão de que Jornalista não necessita de diploma, pois acreditam que nós jornalistas podemos aprender com os Supremos escolhidos a corrupção da informação, aquela que atende só a quem pode pagar altos preços por ela e aquela informação que só chega a quem lhes convém.

Um dos bordões dessa política consumista (do dinheiro e dos ideais do povo) do nosso Brasil é que “a Educação é o principal meio para um país melhor”, e é assim que começam a melhora, tirando o diploma de Ensino Superior para estudantes que finalmente vêem um futuro em si mesmo e apostam 8 semestres, 4 anos de suas vidas em estudos que possam lhe trazer uma vida digna e trabalho? O que querem? Mais violência, mais prostituição que são as soluções encontradas pelos que nem a oportunidade de estudo tem? Jovens nas ruas se mobilizam e protestam contra essa decisão que só fez regredir a questão educacional no país e denegrir a imagem da Justiça Brasileira (se é que se pode chamar de Justiça), no exterior. Ainda assim repudiam os que têm a coragem e disposição para se manifestar, uma vez que estamos acostumados a ver os jovens nas ruas, mas é pedindo esmola, morando na rua, limpando vidros de carros, traficando drogas e vendendo o corpo para ter o dinheiro de sobreviver que os políticos em geral estão gastando para operar projetos como este. E que não param por aí, já que existem mais planos de tirar os direitos, ou melhor, os diplomas de outras profissões.

Fiquem espertos colegas universitários e até mesmo aqueles que já têm emprego garantido, pois a qualquer hora o SFT decide que seus serviços sociais como profissionais não sirva mais, aliás, não sirva mais como produtos de compra e venda na mesa da Suprema Corte e da Diretoria da Globo.

Inconstitucional, foi a desculpa muito da esfarrapada que o juiz Gilmar Mendes usou como critério para aprovação da extinção do diploma de jornalista. Inconstitucional meu caro, é quem lhe colocou neste cargo, inconstitucional é querer continuar na mentira, é tirar a chance de milhares de pessoas nesse país de serem bem informadas através de profissionais informados, competentes e comprometidos com o público que Vossas Excelências fazem questão de chamar de “minha gente”, e que com essa nova vantagem (sua apenas sua) os Jornalistas também chamados de Contadores de Histórias não deixem de contar histórias, claro, mas agora é história para o boi (povo) dormir.

Larissa Cordeiro

Carta de repúdio do aluno da Favip Jael Soares

Jornalista sem diploma? VOCÊ também perde.

No dia 17 de junho o Supremo Tribunal Federal abnegou a importância do diploma para os jornalistas do Brasil. A justificativa é que, segundo o STF, a função de jornalista pode ser exercida por qualquer um que lide bem com as letras, haja vista que Jornalismo é, ainda segundo o STF, igual à arte: não tem conhecimentos científicos e não carece mais que noções textuais. O profissional jornalista não será o único a perder com a medida.

Para presidente do STF, o jornalista é igualado a um cozinheiro. De modo algum pode ser negada a importância da culinária, mas deve-se assinalar que o Jornalismo é mais que saber qual cebola e feijões serão cozidos. Jornalismo requer a maior minúcia na hora de tratar os materiais de trabalho. Caso o jornalista descuide-se, as pessoas não tomarão um efervescente para melhorar; elas podem ficar vulneráveis moralmente à sociedade.

No curso de Jornalismo o estudante não só aprende a escrever parágrafos e pôr citações de pessoas no texto. Ele aprende, dentre mil coisas, quais são as fontes de informação, como entrevistá-las, usá-las; aprende as características e tipos de textos jornalísticos, como e quando usá-los. O estudante do curso de jornalismo ainda aprende, lançando mão das técnicas de entrevista e redação, a ter o máximo de objetividade e imparcialidade que cabem a um sujeito. Ainda mais: ele aprende sim, ao contrário do que pensam os leigos parlamentares do STF, conhecimentos humano-científicos sobre a Comunicação Social - como os ministrados nas disciplinas de Teorias da Comunicação, Comunicação Comparada, Psicologia da Comunicação, Sociologia da Comunicação, Comunicação Regional, Antropologia e Comunicação e tantas outras. Decerto o estudo dessas ciências é jovem, mas é pouco provável que alcance à idade mediana se essa decisão leviana seja levada a sério pela sociedade brasileira.

Não se pode descartar a possibilidade do erro jornalístico mesmo com diploma, mas é evidente que o erro é inerente a qualquer profissional, seja ele um médico, açougueiro, parlamentar, professor, arquiteto ou o que seja. O que difere em ter um diploma é que, dentro do mercado de trabalho, o profissional tem suas leis, ética, direitos e deveres sociais que devem ser cumpridos; caso não siga com o profissionalismo, é julgado como um infrator. A partir do momento que para ser jornalista não requer diploma, há a perda dos direitos trabalhistas; o piso salarial passa a inexistir legalmente; o código de ética jornalística perde valor; o Jornalismo passa a ser tratado por amadores sem escrúpulo e que trabalham fracamente por um salário vergonhoso; e, caso o jornalista atente contra a sociedade (com acusações mal colhidas, sem fundamentação, por exemplo), ele será julgado como qualquer pessoa e não como um profissional que infringiu as próprias leis e éticas – como se julga um médico por descuido com o paciente; um policial por abuso de poder; um farmacêutico por vender remédios sem prescrição médica.

Uma das empresas responsáveis por essa medida é a Rede Globo que, junto ao Sindicato Patronal de Tv e Rádio de São Paulo, resolveu entrar com um processo para acabar com o diploma do jornalista. A Rede Globo! A mesma empresa que, por má acuidade com a prática jornalística (ao entregá-la a não-diplomados), há uns anos acusou de pedofilia o Senhor Shimada, baseado na declaração de um pai que disse ter o filho molestado. No curso universitário de Jornalismo, o estudante aprende a ouvir e a citar no texto os dois lados da história e aprende a usar a palavra “acusado”, quando não há nada concreto. A Rede Globo pouco se importou com isto e publicou que havia um senhor, dono de uma escola de base, que molestava crianças. Após a família do Senhor Shimada estar arruinada, descobriu-se que a suposta criança molestada tomou remédios que causavam diarréia e conseqüentes assaduras. É este jornalismo mal apurado que se quer neste país?

O Supremo Tribunal Federal e a Globo alegam que a medida ressaltará a liberdade de expressão, aclamada pela constituição de 1988. E por acaso os integrantes do STF não usam sites, blogs, cartas, redes de televisão e de rádio ou mesmo não escrevem colunas para jornais? Por acaso o pré-universitário só pode entrar no curso de Jornalismo se se vender ao diabo? Os jornalistas brasileiros, por acaso, privaram a sociedade de usar os meios de comunicação?! Por acaso eles proibiram pessoas de trabalharem mesmo como amadoras em jornais?!

Em verdade, o que se quer não é nada mais que um trabalho regulamentado, com salários, direitos e deveres dignos. Mas se é para falar sobre direito à liberdade de expressão, por que as concessões dadas às empresas de comunicação do país são, em sua espantosa e estratosférica maioria, dada a parlamentares, enquanto rádios e redes de televisão comunitárias vivem na clandestinidade por não terem concessão para funcionar legalmente? Onde estão as concessões para as pequenas e médias empresas de comunicação? Onde está a liberdade de expressão para quem tem pouco dinheiro ou não ocupa um cargo de senador ou deputado da república? Será realmente uma medida para avivar a liberdade de expressão ou para que sejam contratadas pessoas certas para bendizerem os parlamentares e grandes veículos de comunicação? Sem sombra de dúvidas, a segunda opção.

Caso nada seja feito e a sociedade não mostre o devido repúdio contra a loucura de parlamentares leigos (que, vale salientar, exercem suas funções sem carência de diploma), as futuras manchetes serão lastimáveis. Num futuro próximo, talvez nem sejam documentadas nos jornais dantes sérios, que mais profissionais podem perder a obrigatoriedade ao diploma e os conseqüentes respeito social e profissionalização... Talvez não comuniquem que o médico pode ser igualado ao curandeiro (já que ambos podem curar), que qualquer um pode ser advogado, juiz, arquiteto, psicólogo, nutricionista, professor (desde que aprenda os respectivos saberes em livros), haja vista que os meios de comunicação não terão pessoas CAPACITADAS e SÉRIAS, não terão PROFISSIONAIS, mas sim MOLEQUES DE RECADO.

Jael Soares, estudante de Jornalismo.