Os fragmentos discursivos em torno do diploma em Jornalismo
A recente discussão do STF em extinguir a obrigatoriedade do diplomaem Jornalismo como condição legal para o exercício da profissão, temdesencadeado uma série de reflexões distintas, a partir do episódio emdestaque. Ao que se pode perceber, a discussão, de início restrita aoato, no mínimo, criticável, dos juízes pareceristas perante o casojulgado vem se fragmentando através das diversas opiniões e análisesmais detalhadas compartilhadas pelos jornalistas, professores eestudantes de jornalismo.
Incrementadas pela dinâmica comunicacional e plural da rede mundial decomputadores que, diga-se de passagem, mais uma vez tem se demonstradoum autêntico meio democrático de permuta de idéias, as discussõesapontam para um olhar mais atento à questão central em torno daprática jornalística e que há tempo, vem exigindo uma atenção especialpor parte de todos os que compõem este ofício.
Referimo-nos à reflexão sobre o perfil do jornalista no mundocontemporâneo com destaque para os desafios impostos pelastransformações não apenas de ordem técnico-operacional mas humanista,por parte das novas tecnologias da comunicação, as quais têmmodificado o globo em que vivemos. E, nesse sentido, a discussão ganhaoutros rumos e proporções que vão muito além da decisão do STF, medidaesta que, parafraseando Grabriel García Márquez, já vinha sendoconsiderada por muitos como um autêntico exemplo de mais uma crônicade uma morte anunciada. E com certa razão.
Sem sombra de dúvidas, é em torno desta questão que residem os fatoresreais de sobrevivência do jornalismo. Os aspectos que desenharão odestino deste ofício que nos arriscamos a dizer que, como nenhumoutro, é tão frágil às transformações que atingem à denominadasociedade da informação, ainda estão por surgir. Dentro destaconjuntura, portanto, compreender, primeiramente as novas formas desociabilidade geradas e/ou alimentadas pelos novos instrumentos edinâmicas das novas tecnologias comunicacionais passa a ser umimperativo para aqueles que se candidatam ao ofício de jornalista defato e de direito.
Além do mais, não podemos perder de vista também o fato de que,independentemente dos rumos e resultados definitivos que esta polêmicaem torno da suspensão da obrigatoriedade do diploma em jornalismo parao exercício da profissão venha a apresentar, estamos tratando de umarealidade que se arrasta por todo o país desde 2001, com a adoção doregistro provisório que dá o direito de qualquer pessoa atuar emveículos de comunicação sem o respectivo documento e que mesmo sendorevogada a medida do STF, esta realidade continuará existindo porforça da influência e poder exercido pelos donos da mídia em todas asinstâncias políticas e jurídicas de nosso país. Trata-se de um duelotraçado particularmente entre esses e a esfera sindical da categoria jornalística que, diga-se de passagem, quem sabe a partir deste maisnovo embate, passa a existir também de fato e de direito!.
Por fim, esperamos que estes e outros fragmento discursivo em torno daproblemática que se multiplicam a cada dia, sobretudo, por meio dainternet e que têm nos professores, coordenadores, pesquisadores eestudantes de Jornlaismo uma das principais vertentes maisinteressadas no desenrolar final de toda esta celeuma, venham acontribuir para uma consolidação em torno da questão central aquidescrita e que, consideramos vital para a sobreviência do bomjornalismo. E que venham os debates, colocando abaixo as omissões. Osilêncio daqueles que, seja por comodismo, seja por quaisquer outrosmotivos de ordem pessoais e ideológicas, têm relevado esta discussão auma 'quinta categoria'....
professor de jornalismo da Favip Rosildo Brito
quarta-feira, 22 de julho de 2009
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