Caros alunos,
fico feliz com toda essa movimentação acerca das últimas realidades que atentam contra a nossa profissão. Esse é um momento muito oportuno para debatermos sobre o jornalismo feito no Brasil, sobre os interesses que circundam seu controle e, sobretudo, sobre quem pode ser considerado ou não um profissional dessa natureza.
Ter diploma ou não tê-lo é uma questão pertinente para refletir pois coloca em questão qual é, de fato, a relevância da formação universitária que vem sendo trabalhada nas Faculdades de Comunicação Brasil afora. Se não é obrigatório possuir graduação em Comunicação Social - Jornalismo para exercer a profissão junto aos meios de comunicação, então para que serve o bacharelado? Em tempos de refomulação das Diretrizes Nacionais Curriculares dos cursos em Comunicação no Brasil, que estão sendo trabalhadas por intelectuais como José Marques de Melo, a convite do MEC, o que devemos esperar para o novo perfil dos graduandos da área após a decisão do STF? O universo digital, a produção alternativa de conteúdos, enfim, muitas são as mudanças que circundam nossa profissão neste início de milênio...
Precisamos, sim, ampliar o debate para bem compreendê-las e defendermos posições mais construtivas.
Vejam que a decisão do STF não tem mais retorno. Era a última instância a recorrer. Diz respeito a uma legislação da época da Ditadura Militar. A esta altura, qualquer movimento de mobilização em defesa do diploma e da profissão deve se voltar para o Congresso Nacional, para que surja nova regulamentação, mais moderna e condizente com a realidade em que vivemos atualmente. Será que isso é uma missão impossível? Temos condições de mobilizar nossos parlamentares para que saiam da inércia e das contínuas falcatruas com o dinheiro público e resolvam produzir algo de relevante para a sociedade brasileira? Lembro-lhes que há quase 20 anos tramita no Congresso Nacional a "nova proposta" de Lei de Imprensa. Até agora ninguém vota. Por que será? Imprensa e Política têm uma combinação perigosa: o controle da primeira pela segunda representa o controle da opinião pública...
Por que, então, não debatemos essas questões? Por que não mobilizamos a Academia, a FENAJ, os Sindicatos estaduais, os profissionais da Comunicação para propormos essa nova legislação? Há um mecanismo na Constituição brasileira que permite que propostas de lei que partem de iniciativa popular e são seguidas de um abaixo-assinado com percentual específico da população (não lembro se é o equivalente a 2% da população) têm força de lei. Sejamos inteligentes! Existem os meios... precisamos nos articular e esclarecer à população a real importância de termos jornalistas bem formados, seja isso em universidades, cursos técnicos, de pós-graduação ou o que quer que decidamos de hoje em diante.
Essa é uma singela contribuição ao debate. Desculpem minha ausência na reunião mencionada... não estava nem sabendo de sua existência.
Bom São João a todos... Mas, lembrem que só temos uma vida e precisamos vivê-la bem! Não exagerem na dose!!!
Marconi Aurélio
Jornalista & Cientista Político
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